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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Repensando os 50 tons...


Amores, intrigas, amizades, ciúmes, possessão, domínio, ciladas, traições, ilusões, submissas, dócil, amável, carinhos, a lista aqui continuaria em mais 50 tons... E é assim que imagino a trama que envolve a história do casal protagonista da trilogia “+50 tons de cinza ”: Christian Grey e Anastasia Steele. O Sr. Grey se tornou o sonho de muitas meninas, jovens, mulheres e senhoras.

Alto, musculoso, cabelos escuros, olhos cinzentos, inteligente, jovem, bem sucedido, charmoso! Um belo e encantador CEO, de um lado e do outro ele esconde um cenário obscuro que envolve o sadomasoquismo, domínio, posse, controle. Muitas diriam que tudo tem seu preço, que pelo Sr. +Christian Grey elas aceitariam ceder a todos os desejos do Sr. Mão Coçando.

Mas espera aí um minuto! Vamos levantar uma polêmica neste momento. Meninas me respondam uma coisa: se o Sr. Grey fosse baixinho, gordinho, pobre, sem reconhecimento nenhum, no status, no pinta de galã, vocês ainda aceitariam tomar uma surra de chicote, de vara, de bengala??? (Desculpa os estereótipos, mas eles são necessários neste momento).

Realizei esta mesma pergunta para algumas amigas que leram toda a trilogia e se renderam aos encantos do Mr. Grey. E por unanimidade todas responderam que NÃO aceitariam! Para TUDO! Em que mundo estamos vivendo? Quais são nossos princípios e valores? Desde quando as regras mudaram e eu não fui avisada?

Se o cara é rico, paga seus luxos, presentes caros, vida de madame, significa que a partir de agora ele pode fazer o que bem entender? Tipo tomar uma surra em troca não custa nada? Sinceramente houve uma perda de valores e princípios quanto aos desejos femininos após esta trilogia. Nada justifica abandonarmos nossas crenças e tudo que julgamos correto porque existe alguém para custear uma vida de sonhos e desejos.

O livro levanta alguns pontos interessantes que foram abandonados e deixados de lado. Como realmente funciona o relacionamento sadomasoquista? Até que ponto somos movidos a declinar de nossas vontades para satisfazer a quem gostamos? E até quando vale a pena esconder o que nos incomoda simplesmente para satisfazer o desejo do outro?

Entretanto todos os questionamentos foram jogados para escanteio. Questões estas que poderiam ser discutidas e ainda proporcionar novos horizontes para debates ainda mais profundos sobre feminilidade, relacionamentos e sexualidade. Realmente a trama é envolvente, você tem curiosidade de ler o próximo livro e o próximo. Afinal, somos estimulados através de nossas curiosidades, e também até qual ponto a Srta. Steele seria capaz de ceder as tentações e anseios de seu amado.

Tenho uma visão um tanto turva quanto a personagem principal (considero a menina uma virgem vadia – e desculpa a expressão), pois muitas vezes temos que vê-la ceder as suas crenças para agradar ao parceiro. Como disse, anteriormente, a curiosidade move o ser humano e muitas vezes considero que ela foi movida por esse instinto selvagem que temos de descobrir, de inovar, de testar, de sentir novos prazeres.

Concordo com a visão das meninas que assumirem que aceitariam certas submissões com o desejo de conhecer o misterioso mundo do desconhecido, da busca por sensações inéditas, da dor e do prazer, mas jamais que aceitariam por dinheiro! Pois acima de tudo devemos carregar conosco nossos princípios e valores.

E muitas de vocês se repararem ao seu redor já encontraram seu Mr. Charming, mas não reconhecem e nem valorizam quem está ao seu lado na busca insaciável de achar um personagem da ficção. Comecem a reparar, pois ele pode ser muito melhor que a doce ilusão que pedem tanto em seus sonhos diariamente.

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